E tu, és uma pessoa da vida?

A vida é bela, a vida é feita de momentos, de momentos inesqueciveis, de sobressaltos, de sonhos, de quedas e trambolhões, de brincadeiras, de ar, de natureza, de cores, de sensações, de dias, de coragem, de atitude, de família, de trabalho, de tempo livre, de amor, de amizade, de tanta coisa e de nada ao mesmo tempo.
A vida pode ser um vazio, como pode ser um preenchimento de tudo, onde só não cabe o nada.

Questiono-me se por vezes sou uma pessoa da vida, se realmente a minha vida se desenvolve segundo todas as enumerações feitas atrás e mais algumas, se realmente vivo, ou se realmente estou aqui apenas como um mero observador do tempo.

Questiono-me se os momentos belos da vida que passaram por mim me fazem ser uma pessoa melhor, mais vivida, se me fazem ser mais pessoa…

Chego à conclusão que não.

Como bom homem de ciências, não me quedo pela primeira hipótese, tenho de desbravar e chegar mais fundo, chegar ao cerne da questão e se possível até, entrar no cerne, vasculhar e descobrir o que de lá se fecha e guarda para ninguém ver. Um cientista não se conforma com um resultado, se for preciso procura mil, até saber explicar o porquê, o porquê da transformação, o porquê de isto ser isto e de aquilo não ser isto, mas ser aquilo!

Questiono-me se já passei momentos inesquecíveis.

Sim! Por todos? Mais virão! Ou talvez não? Poderão acabar aqui? Certamente não… Valerá a pena continuar? Valerá a pena conseguir sentir? Ser e não ser? Dar a conhecer? Fazer?Simplesmente entender? Mesmo sem perceber? Sim, vale, porque de nada contaria se não passássemos por isso! Passar por onde perguntas? Pelos momentos inesquecíveis!

Questiono-me o porquê dos sobressaltos durante os sonhos, que me fazem chegar aos trambolhões, iniciados numa queda abrupta onde só o corpo sabe explicar como vai a cair, que me fazem acordar, olhar, respirar ofegantemente e pensar, pensar que era um sonho, mas que podia acontecer, pensar que a vida pode estar de mãos dadas com os sonhos, que os sonhos fazem parte da vida e que a vida está dentro dos sonhos, saber que dentro dos sonhos se cai, se levanta, se corre, se sobressalta, mas quando se acorda a vida está normal, será que sonhar nos faz ser mais pessoas da vida? Ou será que sonhar nos faz estar a viver a vida? Será que estamos no caminho certo para ser pessoas da vida? Ou será que sonhar não passa de uma brincadeira simples, inocente, mas ao mesmo tempo complexa, com uma dose de malvadez exagerada da vida?

Questiono-me se as brincadeiras fazem uma pessoa ser da vida. Não será a vida parte de uma brincadeira ilusória, como aquelas brincadeiras de crianças em que se imagina ter uma profissão, uma família, ser feliz? Não será a vida a maior e melhor brincadeira, a mais divertida, a que nos aguça mais ainda o apetite para continuar a brincar? Sim, é, mas como as mães nos chamam para terminarmos a brincadeira e ir para a mesa jantar, também a vida às vezes nos chama para as responsabilidades, para sermos mais sérios, para não encarar uma brincadeira, mas para encarar a situação mais grave de sempre!

Questiono-me se a vida precisa de viver em função do ar e da natureza. Sim, a vida vive de ar, sem natureza não há ar, sem ar não haveria natureza, afinal a vida nem é aqui chamada! Pois está errado, natureza é sinal de vida, talvez o maior, talvez o único, afinal não pertencerá tudo à natureza? Não será a natureza a própria natureza da natureza? Não será o ar apenas um derivado da natureza?

Questiono-me se a vida é feita de cores. Não será a vida a preto e branco? Mas não serão o preto e branco cores? Afinal a vida sem cores seria vida? Resposta óbvia e clara, tão certeira e tão importante, quanto as sensações, porque sem sentirmos as cores, sem sentirmos o cheiro, sem sentirmos o som, até mesmo o gosto e o que é palpável não conseguimos viver! Conseguimos apenas sobreviver, mas sobreviver não é viver, ou será?

Questiono-me se a vida é feita de dias. Se há dias onde somos mais corajosos. Se nesses dias possuímos e tomamos a atitude certeira e se somos corajosos ao ponto de a saber assumir. Questiono-me se a vida é isto. Podemos ter dias, uns melhores, outros piores, no fim todos farão a vida, todos a completarão. Ser corajoso e ter atitude não é vida, mas são sim estados da vida. São estados que nuns dias aparecem, noutros nem se mostram, às vezes ficam-se no meio caminho.

Na génese da vida são os adereços e os luxos!

Não me questiono se a vida é família ou não, pois aqui sei claramente que é, sei que é a família quem faz a vida, sei que é ela quem a dá, sei também que é a família que trabalha para manter a vida e que é a família que deixa de ter vida quando deixa de trabalhar. Também sei que é o trabalho que leva ao tempo livre e é o tempo livre que melhora a vida, estão de mãos dadas estes dois, mas no entanto estão separados e aqui me questiono, porquê separar o trabalho e o tempo livre desta vida, quando fazem parte da vida?

Questiono-me se a vida é feita de amor e amizade. Às vezes parece que não, outras vezes só faz sentido se sim! No fundo pensamos que sim, mas sabemos que é impossível se não.

Questiono-me se a vida é o tudo onde não cabe o nada. Porque será que onde está tudo não está nada? Porque será que onde cabe o tudo, não há espaço para o nada? Será a vida feita de tudo sem nada, ou será que temos uma vida de nada feita com tudo?

Há questões que nem o mais sábio dos sábios saberá responder, há outras onde ele arriscará, outras onde nem tentará, mas lá no fundo ambos sabemos que será simplesmente uma resposta, que de sábia não terá nada, pois a vida só pode ser o que nós quisermos, só será feita do que nós lhe dermos, só será vivida junto dos que nós escolhermos e jamais será feita de fórmulas da ciência. Será sempre uma incógnita, será sempre a incógnita, mas será a incógnita que nós conhecemos, aquela que vamos descobrindo, aquela que mais nos fará sonhar…

A vida não tem limites, mas tu tens os teus limites. Não deixes que a vida te imponha os teus limites!

folha do caderno de 6/6/2012

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