Aventuras e desventuras de um qualquer Sábado diferente de todos os outros.

Podem, ao abrir esta breve composição prosaica, os meus fiéis amigos e seguidores pensar que vão estar perante uma qualquer narração de aventuras e desventuras ocorridas numa viagem, ao estilo mais aventureiro de, por exemplo ”A Volta ao Mundo em 80 Dias” de Julio Verne ou um qualquer livro de Tintin, mas desenganem-se, afinal dessas histórias já todos fazem modelos e aquela que vou contar, podendo enquadrar-se nas anteriores, não o vai fazer!

Tudo começou na sexta-feira, dia de retorno a casa, dia de pensar que o descanso vai chegando e que a semana dura e maçadora ficou para trás, tanta descontracção levou a que acabasse a minha monótona e já bem regular viagem da cidade das Capas Negras para a Cidade Capital do Ribatejo um autêntico caos. Uma pequena desatenção bastou para deixar que todo o curso normal de mais um fim de semana em repouso passasse a ser um fim de semana a fazer turismo por essa bela cidade que é a Capital do País Portugal. Afinal tudo acabou em bem, mas o que é que acabou bem? Pois bem, o facto de ter perdido toda a minha legalidade e toda a minha riqueza, ou melhor, de ter perdido a atenção por uns minutos, o que levou a que passasse cerca de 14h como pessoa clandestina neste país, reduzido a nada, sem me poder identificar caso fosse necessário e sem poder recorrer à minha miserável riqueza para retribuir qualquer serviço prestado. Pois bem, eis que chegamos ao ponto de partida, o momento em que me é pedido para legalizar a minha condição de passageiro no pouca-terra, perante o pica e eu como sempre o faço, no entanto o factor determinante foi não ter ninguém sentado ao meu lado, o que me levou a que depois deste gesto, descontraidamente (fruto do dia sexta-feira) colocasse também em repouso, a minha portadora de identificações e de papéis de legalização ao meu lado! Pois bem, distraido que vinha, a pensar sabe-se lá em quê, eis que saio do meu meio de transporte (para o caso o pouca-terra) e me dirijo como normal para o ponto de espera da minha boleia até ao local onde pernoito durante estes dias, onde reside toda a fonte de amor e carinho inesgotável e onde posso receber o merecido conforto depois de árduas situações ocorridas anteriormente. Aqui e finalmente dou por falta do tal objecto e corro imediatamente ás entidades legais, explicar o sucedido e tentar arranjar uma solução. Durante a longa espera, o relógio mal passava, no entanto, com a mesma calma com que vinha até aqui, aguentei, até que me informam de que a minha aventura vai começar: Os bens foram encontrados, de boa saúde, recuperados para a vida e para os reaver terei de me deslocar à cidade Capital!

Incidindo agora sobre o dia a que remonta o título desta breve nota e correndo o risco de o leitor já nem me acompanhar, o melhor vem a chegar. De um fim de semana de provável descanso, o dia de Sábado é logo começado mais cedo que os restantes da semana, eis que vou em direcção a Lisboa, num pouca-terra, não o mesmo, um inferiro, mas que vale a pena. São penosas as horas de ida e observo o trabalho que a noite fez! Deixou campos da planície cobertos de branco, cobertos de gelo frio, no entanto em alguns pontos, os animais resistem, bem como as águas e agem normalmente. Foi penosa a viagem até à chegada, mas assim que voltei a pousar pés em terra firme eis que me vejo num novo mundo, uma nova realidade, pela primeira vez em 22 anos 10 meses e 8 dias de história, me vejo na situação involuntária de estar desprotegido da lei, numa realidade diferente da minha realidade. Já no local de recuperação dos meus pertences, peço indicações e dirigem-me a um gabinete que é destinado ao apoio a clientes, passo as formalidades e recupero aquilo que me pertence desde sempre.

A aventura podia terminar aqui, com glória e vitória, no entanto fui mais longe, fui explorar um pouco do que temos de melhor, fui turista por umas horas, fui negociante por breves instantes, fui introduzir-me na realidade que é a nossa história, fui introduzir-me na sociedade, fui à Feira da Ladra! Aproveitei o que algumas pessoas chamam de excedentes, mas para mim é das melhores coisas do mundo, deambulava entre vendedores de coisas que já não precisam, entre apregoadores de coisas que já não querem e entre negociantes de tudo e de quase nada e parei ali em frente á minha perdição, em frente aos magnificos coleccionáveis, aquelas reproduções feitas ao milimetro dos bólides de outros tempos, fui perspicaz, perguntei quanto seria, ”não é um nem três, é dois” disseram-me, eu olhei novamente e saiu-me ”então e os quatro?” e não foi um nem três, nem mesmo dois, mas foi um e meio. Senti-me durante o resto do dia, como se sente um petiz quando descobre que 1+1=2 ou que descobre o a e i o u, senti-me melhor, senti-me mais contente, afinal só por esta aventura desastrada, dentro da aventura proporcionada, valeu a pena que este Sábado tenha sido diferente de todos os outros!

Página do caderno de 12/2/2012

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