Apenas mais um dia na tua cabeça

Escolhe um dia qualquer aleatório do teu calendário onde marcas os teus compromissos, onde apontas os aniversários dos teus mais chegados, talvez dos conhecidos, onde tens a tua “to do list”, onde estão os contactos importantes e aqueles que já nem sabes bem porque estão naquelas páginas, enfim… Escolhe apenas um dia qualquer. Já escolheste? Eu já e sabes o que me calhou? Calhou-me aquele dia tão aleatório que é o pior dos dias que te podia calhar, aquele em que vais pensar e dissertar sobre tudo e mais alguma coisa e que vais chegar a conclusões tão drásticas quanto: “Esta gente toda afinal não me dá é o valor que eu tenho realmente…”.

Pois é, às vezes isto acontece, sem razão aparente ou simplesmente porque ultimamente aquilo que querias que corresse às mil maravilhas correu pior que o esperado. Percebes que demonizam a tua imagem, que te atiram para a valeta porque afinal nunca foste o exemplo, ou nunca fizeste nada do que era esperado que fizesses, simplesmente subvalorizam-te como se nem uma moeda de dois euros cobrisse cem por cento do teu valor real.

Há pessoas que não têm noção do ridículo em que caiem quando isto acontece, especialmente quando são aqueles que por uma razão ou por outra mais te esforças, não para impressionar, mas sim para mostrar que estás ali, que dizes presente a tudo, mesmo que isso te custe atrapalhar a tua agenda, o teu dia, mesmo que te custe um fino e um pires de amendoins no café ali da rua. Simplesmente não mereces que isso te aconteça, nem mereces ser tão subvalorizado pensas tu lá no teu interior, mas depois questionas-te e começas a somar os A’s com os B’s, obtens os C’s e percebes que a final a soma linear que achavas que ia dar positiva, deu-te um número negativo.

Fiz um esforço enorme para não pensar nisto, deves fazê-lo também. Pega de novo na tua agenda, escolhe outro dia qualquer, um melhor, ou pior. Já escolheste outra vez? Eu já e sabes o que me calhou? Calhou aquele aquele dia em que eu olhei para a outra metade da agenda e não para aquela que tinha os nomes todos que me interessavam e que não faziam lá porra nenhuma. Pensei, pensei, pensei e cheguei a aperceber-me que afinal eu não tinha de pensar nas pessoas que demonizam o esforço que faço, apenas tenho de saber equilibrar entre as que acham que o esforço é desmedido e heróico e aquelas que acham que é apenas um esforço supérfluo. Vais-te aperceber que nem sempre és excelente, nem sempre és péssimo, mas quase sempre és competente e consegues fazer o que cem pessoas que vão chegar depois de ti não conseguirão fazer.

Conforme temos as nossas “to do list”, também temos as nossas “disapoitment lists”, mas regra geral nunca temos a lista magnifica daqueles a que agradamos, nunca temos presente o melhor que fazemos e porquê? Porque tu e eu, fomos educados na base do “não desapontes”, “não podes fazer errado”, “não podes ser o pior”, “se não fores o melhor, não vais conseguir”, mas no fim deste exercício vais perceber que afinal essa educação tem de ir pelo cano abaixo, tens de saber misturar o sucesso e o insucesso e tens de deixar quem desapontas ainda mais desapontado com o teu conseguimento naquilo que está pela frente.

Erra, Acerta, Faz escolhas com base nisso, Retira o melhor de cada opção, mas nunca, mesmo nunca vivas em função do certo ou errado que aconteceu, vive apenas em função daquilo que realmente consegues fazer aqui e agora, no dia que está na página da tua agenda, ou na página do meu caderno.

Texto do caderno amarelo do dia 25/08/2014

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