Padrinhos e afilhados de Coimbra

Todos os anos em meados de Setembro, por Coimbra, a cidade volta a receber ansiosamente os seus novos estudantes, os caloiros, que deixam mais uma etapa vencida na sua vida e conseguem o tão ansiado objectivo de muitos alunos finalistas do secundário, entrar na Universidade.

É sempre uma época conturbada para todos, especialmente para os mais novos, onde pela primeira vez tomam contacto com a dureza da vida e têm de deixar mais longe os seus mais queridos e a sua terra de sempre, têm de encontrar um novo método de trabalho, mais eficaz e mais rentabilizado do que o que tinham até aqui, vão talvez tirar a primeira má nota (o que eu não espero sinceramente), vão sentir a dureza da tradição de Coimbra e vão sentir o peso que isso terá no futuro, tal como um dia nos aconteceu a nós! Vão também descobrir uma espécie de novo mundo, vão ter mais alguma liberdade e vão ter de saber viver com ela, sob pena de a poderem perder ao não saber usá-la! Lembrem-se que a liberdade não tem limites, mas a liberdade acaba onde começa a liberdade do outro.

No meio disto tudo, estamos nós, já alunos da casa, com a missão de saber receber, saber integrar e saber ensinar todos os valores, todos os segredos, e algumas manhas para se conseguir sobreviver bem ao que é ser agora um habitante de Coimbra e um estudante da Universidade de Coimbra! Temos também de os ensinar a viver por cá e de os chamar à razão sempre que necessário!

Temos ainda a missão de apadrinhar um caloiro, talvez esta seja mesmo a missão mais relevante, pois para apadrinhar um caloiro é preciso uma grande amizade, um grande espírito de ajuda ao próximo, uma grande confiança e sobretudo respeito. Neste aspecto não me posso queixar dos últimos anos em que praticamente todos os caloiros que tive, foram merecedores de ser meus afilhados, tenho já grandes amigos assim, ajudo-os no que posso e só não faço mesmo aquilo que não posso, acima de um afilhado, isto representa uma grande amizade e podem ter a certeza que será um excelente exemplo para a vossa vida futura, bem como ganharão grandes amigos assim.

Quero portanto deixar-vos para pensar, ”acima de um caloiro, acima do vosso caloiro, vai estar um grande amigo, talvez um dos vossos melhores amigos!” Portanto não escolham um afilhado só porque bebe muito ou pouco, porque é engraçado ou porque fala fala fala e não diz nada! Escolham-no porque sentem que vão ser grandes amigos!

Página do caderno de 1 de Outubro de 2011

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