Visitas inesperadas, momentos oportunos

Partilhava eu o meu mundo com um dos meus mais próximos, no sossego de minha casa, sentado em meu sofá, em amena cavaqueira, entre assuntos de cariz político, passando por pontos leves e de discussão agradável, tomando cada um sua bebida digestiva, pois o jantar havia sido como sempre bastante composto, quando não é meu espanto e dou contigo a chegar em casa, em minha casa. Não vinhas sozinha, trazias a tua companhia de sempre, de outra forma aposto que não terias entrado em casa com tanto chamar de atenções, nem tinhas parado para falar e juntar-te a nós! Se calhar tivemos sorte. Era dia de partilha, o que acabou por criar uma situação que nos voltou a colocar em interacção depois de algum tempo arredados de conversas maiores que excedessem duas trocas de palavras, ou mesmo que não envolvessem mais que o habitual “Olá” aquando dos cruzamentos na rua, na escola, ou num sítio qualquer. Esta situação toda acabou por fazer com que a interacção volta-se a acontecer e derrubou uma barreira que parecia intransponível, infelizmente o orgulho de ambos é mais forte que a realidade e esse mesmo orgulho sempre teimou em nos manter bem longe, não fôssemos criar a bomba atómica orgulhosa que ia contaminar o mundo, ao ponto de nunca mais ninguém dar o braço a torcer em que situação fosse, esse orgulho teima em afastar-nos da razão óbvia.

Mas afinal para que serve este orgulho todo de parte a parte? Para que serve realmente o orgulho? O que é essa coisa de orgulho?

O orgulho, ou é um sentimento de satisfação, ou um sentimento de dignidade pessoal, mas neste caso é pura e simplesmente uma atitude de merda, que cada um de nós decidiu ter, apenas porque sim, apenas porque nos sentimos orgulhosos de vermos quem aguenta mais tempo sem ceder ao outro, apenas porque não queremos dar ao outro o prazer eterno de dar uma razão para poder dizer que afinal teve coragem de enfrentar o orgulho mais inabalável do outro.

Mas ainda bem que fomos orgulhosos, acabámos por saborear muito melhor aquela troca de olhares, naquele reencontro tão improvável, tão inesperado, mas tão oportuno. Quem ficou sem perceber nada disto, foi a minha companhia e a tua amiga de sempre, afinal eles foram só o motivo que nós encontrámos, para deixar o nosso orgulho de lado, foram a desculpa para nos podermos sentar novamente à mesma mesa, para voltarmos a falar livremente, sem entraves nem mordaças.

Afinal ainda vale a pena ter orgulho nalguma coisa, mas sinceramente? Preferia ter um orgulho especial em dizer às pessoas que te amava!

Texto do caderno de 23/07/2014

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6 pensamentos sobre “Visitas inesperadas, momentos oportunos

  1. O que o orgulho constrói, por vezes o orgulho destrói… Não se trata de ver quem é mais forte, e aguenta mais o seu escudo, mas de defesa de opiniões e pontos de vista… O nosso orgulho protege a nossa opinião, e por vezes essa mesma está errada… É preciso saber quando deixar o orgulho de parte, não por se ser fraco, mas por se ser forte o susuficiente pra quebrar barreiras 🙂

    • Sim, é verdade o que dizes! Mas há o orgulho por casmurrice de não querer ceder à situação, por não querer demonstrar fraqueza, ou apenas por querer levar a sua decisão em diante, independentemente de tudo o que a outra parte considera. Neste caso baseei-me nisso! Às vezes, ou quase sempre, o ser orgulhoso prejudica mais do que ajuda… É a lei que se impõe!

    • Isso faz a diferença entre humildade é egocentrismo.
      Se nao somos capazes de desistir do nosso orgulho, por superioridade, entao não somos humildes para reconhecer os nossos erros e aprender com eles

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