Mas o Natal é de quem?

Estamos a pouco mais de 15 dias da enorme marca festiva que é o Natal, momento único no ano e época em que mais se é solidário, mais se ajuda os outros e mais se finge que nos importamos com tudo o que nos rodeia. Mas será que é mesmo assim? Será que o Natal ainda é de todos, da família, da fraternidade, do amor, da paz e da luz? A resposta é clara e é um simples e rotundo NÃO, o Natal já não é nada disto e cada vez perde mais essa essência, simplesmente porque nos desleixamos e banalizamos tudo ao que o Natal diz respeito.

O Natal é cada vez mais dos consumistas, a época começa a ser planeada em finais de Outubro, para chegarmos ao pico em vésperas do dia decisivo. Nos centros de consumo nada falta. As promoções, os descontos, os cartões (não, não, não são os de Natal, são os da loja), a azáfama crescente dos fins de semanas num qualquer centro comercial… Enfim, qualquer um destes pequenos detalhes é um forte indicador de que o mês de Dezembro está à porta. O que me revolta é que a essência vai-se perdendo, o excesso de tempo dedicado ao Natal vai tornando tudo mais comum, detestável e banal, a família é posta de lado e o importante é gastar dinheiro, comprar prendas, mimar todos os que achamos que merecem uma prenda porque não queremos ficar mal quando nos vierem trazer aquela caixa de bom-bons típica do “só para ter a certeza que se lembra de mim por mais um ano e tenho uma prenda para meter no sapatinho”.

Só para terem uma ideia do ridículo disto tudo, basta pensarem numa mãe ou pai que vá fazer compras de Natal com o filho, ou filhos. Os pais estão desesperados à procura da melhor prenda possível, os filhos estão desesperados porque tudo o que é natalício lhes causa uma excitação enorme, sonham com aquela prenda gigante que vão ter debaixo da árvore e que vão tentar ver antes do tempo, perdem a paciência facilmente ao acompanhar os pais e dão por si a ser repreendidos porque estão a sofrer dos efeitos colaterais do consumismo, perde-se a ligação e o clima da trilogia Família-Natal-Presentes Realmente Importantes.

Assim ser criança e querer viver o verdadeiro espírito natalício neste mundo de adultos consumistas, porque sim, é lixado. Vejamos:

– Os adultos podem ver as lojas que querem até encontrar a prenda ideal, mas os adultos não deixam as crianças verem as lojas que querem, porque faz sentido perder horas numa loja de roupa e não comprar nada, mas não faz sentido perder 10 minutos para ir à loja dos brinquedos agradar ao petiz;

– Os adultos podem comprar a prenda que quiserem para oferecer, mas as crianças não podem comprar a prenda que querem para oferecer, isto porque faz tanto sentido um adulto oferecer um par de meias a outro só pelo frete de ter de oferecer algo, mas não faz sentido o pequenito querer oferecer um HotWheels ao seu companheiro de brincadeiras de rua porque isso é gastar dinheiro à parva;

– Os adultos podem entrar em 5 lojas seguidas, mas as crianças não se podem aborrecer com isso, porque nesse caso virá a chantagem psicológica e aquela prenda enorme que era para pôr debaixo da árvore de Natal? Bem, essa já era…;

No fim disto tudo quem é que está certo? Claro, os miúdos, afinal ir às compras de Natal é uma chatice, mais vale ser genuíno como uma criança e viver o Natal feliz, com aquele sonho de querermos ter aquela super prenda debaixo do pinheiro, mas nunca a termos, assim o Natal continua a ter magia, sonho e o mais importante, família dedicada à família e não às compras consumistas da moda!

Esta página não consta do caderno amarelo.

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