Um Feliz Natal a todos

Longe vão os tempos em que a maioria de nós enquanto crianças acreditava na figura ímpar desta época natalícia, o Pai Natal pois claro, aquele senhor velhote, que estava sempre em cima de nós com a sua visão averiguadora o ano todo e, que determinava por este dia se realmente merecíamos ou não aquele tão ansiado presente, aquela surpresa que a qualquer momento depois das 23:59 do dia 24 de Dezembro podia descer pela chaminé, carregada pela nossa figura idosa e era deixada dentro do sapatinho que lá colocávamos.

A propósito dos sapatinhos na chaminé, nunca tive um muito grande, talvez o meu tivesse (e tenha) o tamanho ideal e suficiente para que o “velhote” me deixasse lá um ou dois chocolates, eventualmente um livro de bolso para ler nas minhas viagens, um simples carrinho daqueles de chapa, dos de brincar às corridas, ou então um par de meias ou dois, que as minhas andam sempre a romper-se, bem dobradinhas e aconchegadas, talvez lá coubessem. Enfim, tudo coisas pequenas!

A verdade que concluí alguns anos depois, foi que ele nunca conseguiria lá deixar nem um único pelinho da sua farfalhuda barba branca, tudo porque a minha chaminé era pequena demais, estava tapada no topo e além disso era partilhada com os vizinhos do andar de cima! Mesmo que alguma vez ele tenha entrado (o que acho complicado dada a sua estatura e a estrutura do fumeiro), provavelmente ele seguia o caminho mais rápido e deixava tudo na casa do vizinho.

Nunca me importei muito, afinal nem era por aí que vivia pior, mas pensei que talvez fosse melhor começar a pensar que isto era tudo uma farsa e que esse bandido que é o terror das crianças que se portam mal nunca havia de ter existido. Comecei então a pensar em dar outro uso à meia verde e vermelha, com corações e bolinhas, apesar de pequena, queria mantê-la ali para colocar algo que eu pedisse e alguém me desse, mas tão pequena… Não era tarefa fácil se pedisse uma máquina registadora daquelas de brincar às lojas, ou daqueles tappetes que são quintas, ou estradas, de pôr no quarto e brincar com os animais, ou os carros… Enfim, eu queria coisas maiores que aquilo que realmente cabia na meia e então tornava-se incomportável, mas felizmente os meus pais embrulhavam essas coisas e metiam-nas ao pé da árvore de Natal!

Foi assim que cheguei à minha conclusão mais brilhante de sempre, entendi que se queria coisas grandes que coubessem naquele sapatinho, tinham de ser aquelas que não são palpáveis, aquelas que se dissolvem no ar, na água, nas pessoas… Tinha de pedir Paz, Amor, Saúde, União, Esperança, pedir dias bons, enfim, uma série de banalidades gigantes, mas que por incrível que pareça cabiam todas naquela pequena meia e acabavam por aparecer sempre naquela noite da família. Era e ainda é incrível pensar na forma de como alguém que não existe, nos consegue dar tanto, nos consegue deixar tudo a horas e nos consegue encontrar no meio de tanta gente e tanta confusão que se vive por estes dias.

Tudo isto leva-me a crer e acreditar que por muito pequenos que sejam os nossos sapatinhos, por muito perdidos que andemos, se formos capazes de pedir o que realmente merecemos, então isso vai caber no sapatinho, vai ser entregue na hora certa e vai deixar-nos tão bem ou melhor que recebermos aquela televisão LED, Full HD, ou o telemóvel topo de gama do mercado.

A vida como o Natal deve ser sentida e vivida como se vive o próprio Natal, cheio de imaginários, sonhos, impossíveis e irrealidades que por força de nós desacreditados torna tudo real, possível e atingível.

Afinal eu ainda acredito no Pai Natal!

FELIZ NATAL A TODOS!!!!

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