Coragem, o substantivo feminino

Adoro pegar no meu velho dicionário, aquele velhinho, da Porto Editora, edição de 1979, capa dura e encarnada, com letras douradas, para descobrir o sentido de algumas palavras que vou usando, ou que me assolam a cabeça. Dá-me um prazer enorme desfolhá-lo e ver os rabiscos que já alguém lá deixou, ou apenas  porque o sentido das palavras que lá estão me faz sentir mais confortável, apesar de na maioria dos dicionários encontrar o mesmo resultado.

Andava sobretudo a pensar sobre a coragem, aquela que devemos ter nas situações tão diversas que encontramos, aquela que não devemos ter quando queremos cometer uma loucura (daquelas mesmo más), mas que muitas vezes acaba por ser sinónimo de vitórias bem conseguidas, apenas porque a usámos. A coragem pois claro.

Referi-mo-nos à coragem no feminino, o dicionário corroborou que é um substantivo feminino, está correcto, nada a apontar. Extrapolando isto para o mundo real associamos a coragem aos elementos masculinos e femininos, talvez mais aos masculinos, dado os estereótipos, mas já alguém se questionou o que é que a coragem realmente é? Eu questionei hoje e a resposta do livro grosso das palavras disse-me que normalmente é uma energia moral ante o perigo, mas também pode ser um sofrimento ou revés. É preciso ter coragem para dar uma resposta destas, tão dúbia e antagónica, porque é o que nos dá a energia moral e vontade de avançar, mas também acaba por ser aquele tirar de tapete debaixo dos pés, que nos faz cair e ver tudo a andar ao contrário. Também lá vi escrito que poderia significar que coragem fosse intrepidez, ousadia, um acto de irreverência perante tantas acções de pouca figura.

No fundo, todos possuímos o nosso quê de corajosos. Quem é que nunca enfrentou o medo do escuro quando passava nos corredores de casa à noite e via as luzes dos quartos apagadas? Quem é que nunca se impôs na escola para mandar embora aquele matulão que andava sempre a infernizar a vida aos putos? Quem é que nunca arriscou dizer uma palavra que viria a mudar toda uma amizade? Todos fomos à nossa escala e à dimensão da nossa vida, pequenos Afonso Henriques, que tiveram em algum momento aquele pensamento para si mesmos de “Coragem!”, aquele pensamento que significa um ânimo, que significa um empurrão e uma mudança em tudo o que está de fronte de nós.

Mais que isso, um dia, se formos corajosos, se quisermos ser corajosos, seremos pais nós homens e vós mulheres sereis mães e, ser mãe, será a tarefa mais corajosa que alguém terá na vida, porque ser mãe, será com certeza o mesmo que o significado bom de coragem, será a energia moral para o “Carpe Diem”, será a ousadia e a intrepidez de querer desafiar a vida, de querer ser mais, de fazer mais com menos, muito menos tempo, de querer conquistar mais um pedaço do mundo, com um pedaço de mãe, será a coragem de transportar e acompanhar o filho por uma vida inteira, será ter a coragem de se submeter ao limite físico da dor, para criar um futuro, para criar alguém que será muito de nós, mas sobretudo da mãe!

E porque hoje é dia da mãe, será obviamente dia da coragem, de todas essas mães que tiveram a coragem de virar a vida ao contrário e serem elas as ousadas do mundo! Afinal, coragem tem de ser mesmo o substantivo feminino, porque a coragem é sobretudo uma qualidade das mulheres do mundo, especialmente das Mães.

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