As mudanças de ontem

Desculpem a forma tão agressiva e pouco cordial com que este texto começa, mas porra… estou farto! Estou farto que andem a mudar a minha vida, que andem a mudar coisas às quais me habituei desde miúdo e que fui aprendendo desde cedo. Sei que devemos evoluir, sei que há coisas que têm de mudar para evoluir, mas mudar em tão poucos dias coisas tão importantes da vida de uma pessoa qual jogo de cadeiras, deixa-me imensamente revoltado.

Começando pelo princípio e foco maior desta revolta. Sou um acérrimo defensor da língua portuguesa (não gostasse eu de ler e escrever), nasci nos últimos suspiros dos anos 80 e iniciei o meu percurso académico em meados dos anos 90. Aprendi coisas bonitas, aprendi a ler, a escrever, aprendi o que interessava de gramática e matemática, apanhei inclusivé com reformas curriculares que como bem sabemos servem para evoluir o ensino, eliminando os seus erros ou pormenores mais ociosos. Verdade é que a mudança se faz mudando, eliminando os erros, para se tornar melhor. Até aqui tudo certo!

Acontece que, já no pós novo milénio começaram a acontecer pequenas revoluções. Primeiro ao nível gramatical, onde mudaram algumas terminologias morfológicas fazendo-nos crer que o que havíamos aprendido até aqui estaria errado, depois o pior, aquela adaga colocada no coração da pátria, aquela ideia dos iluminados que acharam por bem mudar o nosso maior tesouro e retirar-lhe valor ao desbarato, a mudança imposta pelo acordo ortográfico. Certo é que já passámos por igual anteriormente, já não se vê nos letreiros “Pharmácia” nos dias que correm, nem ninguém dirige cartas a outra pessoa começando por “A muy nobre…”, mas que este tipo de coisas dava magia e encanto à escrita e à própria leitura, lá isso dava. Agora a mudança imposta desde ontem é mesmo obrigar-nos a reduzir, reduzir na quantidade de letras usadas, porque há uma ou duas palavras que tem excesso de letras porque são silenciosas e como mal se notam, vai de cortar… Sinceramente vejo aqui paralelismos com os dias que correm no nosso estado, mas isso são outras conversas, porque lá quem está a mais não é cortado, continua!

Voltando às palavras, querem obrigar-nos a escrever ato em vez de “acto” o que de certeza é um acto de má fé para que nos passemos a confundir entre o ato de atar os sapatos e o ato de atar os sapatos! Perceberam? É que eu aqui quis dizer coisas diferentes, mas saiu igual e até eu me confundi! Com isto tudo passamos a ter menos letras, menos característica (caraterística) e palavras mais curtas, eles levam-nos tudo e, por fim, até as letras nos levam!

Como se não bastasse esta confusão toda, também há quem fale por aí que a Anita quis mudar de nome para Martine. Ainda ontem a rapariga era Anita, mas hoje já é Martine, crescemos todos com a Anita, mas nunca ninguém nos disse que o nome verdadeiro da miúda era Martine, foi assim que o pai a baptizou (batizou), mas quando imigrou para Portugal, viu-se forçada a mudar de nome para ser mais fácil introduzir-se nas nossas casas, talvez porque se mudou em 1966 e nessa altura o patriotismo era levado ao extremo internamente falando! Enganaram-nos desde sempre com esta história e agora querem “legalizar” a nossa Anita e voltar a ter a Martine deles, como se não bastasse também querem “nacionalizar” o seu irmão Pedro e o cão Pantufa… Eles levam-nos tudo e como se não bastassem as letras, até os nomes do nosso imaginário nos querem levar!

Seja na realidade ou na ficção, as mudanças àquilo a que nos habituámos desde sempre incomodam e deixam-nos tristes. Mas que podemos fazer? Vamos lá todos aprender a escrever bem de novo e voltar a conhecer do início a pequena Martine!

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