Onde está o tempo que o tempo não passa?

O tempo é intemporal. Já o disse diversas vezes e continuo a dizê-lo sem qualquer pudor, afinal o tempo é ontem, hoje e amanhã na personificação do passado, presente e futuro, mas que é feito do tempo que o tempo não passa? Onde está esse tempo? Porque não passa? Porque demora a chegar? Estas são as perguntas que me assolam a alma nos últimos tempos, talvez porque quero ver apenas o tempo a passar, porque quero que chegue o dia, porque quero que ele venha, mais rápido que a normal velocidade a que costuma vir.

Sim, estou a ser um apressado, mas preciso que o tempo passe, preciso de saber onde está o tempo que insiste em não passar, para arquitectar o maior plano de roubo de que há memória. Pretendo roubar esse tempo todo, colocá-lo no saco que vou levar para o roubo e deixá-lo lá estar fechado, para poder chegar rápido ao tempo que quero que chegue! Mas enganem-se a vós mesmos, não me vejam como um ladrão, porque não o sou! Vou roubar esse tempo, mas tenho planos para não o tirar do saco onde o vou colocar, não por agora. Vou soltá-lo depois, quando chegar ao tempo que quero que chegue, quando precisar de mais tempo, quando quiser deixar de saber onde está o tempo que o tempo não passa porque depois não quero que ele passe, quero que pare propositadamente, para poder ficar com mais tempo, para ter todo o tempo do mundo, simplesmente para te contemplar, para estar ao teu lado, para não perdermos mais tempo e para ficarmos juntos, ao longo do tempo.

Mesmo que o tempo insista em passar depressa demais, vou ter mais tempo dentro do saco e vou distribuí-lo de forma ordenada, de forma a que o tempo fique equitativamente distribuído, para que não passe mais tempo sem ti do que aquele que passo contigo.

Isto podia ser só sobre o tempo, mas é mais do que o tempo, é sobre mim, sobre ti, sobre nós, sobre o tempo que temos e não temos, sobre o tempo que roubo para nos dar e sobre o tempo que o tempo insiste em não fazer passar agora e que vai fazer passar a correr enquanto estivermos juntos, como sempre faz! É por isso que vou ser um ladrão, mas um ladrão bom, talvez como aquele Robin Hood, ou como aquele ladrão que um dia pensou em roubar o teu coração!

Texto do caderno de 10/08/2015

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