Profissões de um menino que se tornou senhor

Um dia era eu criança, disse a mim mesmo que queria ser mais, queria ser alguém que pudesse mudar o rumo dos acontecimentos, queria ser uma figura importante do país, ser alguém que pudesse ajudar a definir leis, gerar consensos e trabalhar para um país e mundo melhores. Era uma criança tão inocente! Queria ser um Presidente da República! Passava os telejornais sentado a ver a política, ouvia todos os políticos com muita atenção, em especial o Presidente dessa altura e era esse um dos motivos que me levava a querer aquele mundo, ser como aquelas pessoas que eu achava serem tão benévolas.

No entanto o mundo foi-se alterando, eu fui crescendo, mudei as minhas vontades, comecei a perceber coisas e não coisas, comecei a tomar alguma inteligência que me iam dando na escola e tive algum bom senso para perceber que aquilo não era bem o que eu queria, então decidi que queria ser primeiro ministro, talvez aí eu pudesse mudar mesmo o país e o mundo. Ainda assim a malvada da idade, a elegante inteligência e a vontade de querer ajudar tudo e todos levaram-me a dizer que aquele não era o meu lugar. Aquele mundo não era o de quem ajudava, mas sim o de quem mais condenava e isso eu não queria fazer.

Já naquela fase em que se transita do 6º para o 7º ano, no ímpeto de querer ser um bom rapaz, cumprir com os deveres todos e cumprir com o que aprendia na catequese decidi que queria ser veterinário ou médico. Queria ajudar mesmo as pessoas e os animais, mas não queria estar só a ditar do alto de uma cadeira, numa sala abobadada, queria realmente estar ao lado das pessoas e dos animais, sentir o que sentiam e ajudá-los a superar as dores! Depressa percebi que não ia conseguir.

Decidi então que iria realmente ajudar pessoas, ia construir um mundo melhor e ia enfrentar um desafio à minha altura. Decidi que ia ser Engenheiro, mais concretamente Electrotécnico e decidi que o iria ser em Coimbra. Quis juntar o que sempre quis ser, com o que realmente queria ser e consegui! Passei pela política interna da grande casa académica da cidade de Coimbra, ajudei aqueles que representava e fiz mais por eles, fiquei até ser capaz de o fazer e quando não o fui mais fui para a luta final, decidi que tinha de ir acabar o que comecei, decidi que para ajudar realmente alguém, tinha realmente de me tornar num engenheiro, para poder levar a energia eléctrica a qualquer lado ou para projectar a iluminação da casa de alguém. Aqui realmente posso ajudar alguém, aqui realmente faço o que gosto!

Ainda bem que tive coragem e soube sempre ir pelo caminho certo, ainda bem que vi além do momento e consegui chegar ao fim desta jornada! Resta-me pois dizer que fiquei orgulhoso e que por muito que tenha passado, cresci, fiquei mais forte e tornei-me melhor! Agora vou à procura do meu lugar, do lugar onde posso concretizar e tentar ajudar aqueles que precisam de mim!

Texto do caderno de 28/10/2015

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