Aqui estou eu  mais uma vez, como tantas outras, com a particularidade desta vez ser como sou, uma folha de papel vazia, à espera de ser escrita, desenhada, colorida, eu sei lá, sejam pequenas coisas, pequenos pontos, escreve algo, faz com que todos juntos sirvam de mapa, vão-me mostrando o caminho. Nem sempre está o tempo que queremos, nem sempre apanhamos sol o dia todo, a noite toda, às vezes aqui faz frio tanto frio que regela as pontas dos dedos, o nariz, tudo, tanto frio que o nosso interior gela, tanto frio que… às vezes eu fico imóvel e apenas consigo ficar pairando no vazio. Sim, às vezes aqui faz frio nem sempre vivemos do sol e dos dias bonitos infelizmente. Incrivelmente ou não, apesar do frio, seja dia ou noite sei que me esperas, acordada, em sonhos, na realidade, de manhã, à tarde, à noite, sei que estás sempre à minha espera, não sei se vou lá chegar sozinho, não sei se consigo passar o caminho todo com este frio, sem aquele calor, aquela chama que nos vai aquecendo… Enfim, tenho coisas para fazer, é certo, mas também tenho vidas para acompanhar, essas sim realmente importantes, e apesar de aqui estar frio, apesar de saber que há sítios onde faz imenso calor, às vezes lá faz mais frio, e é aí que às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio, no perfeito vazio, a pensar como é que às vezes lá faz mais frio.

Ainda assim Lá fora faz tanto frio, mas cá dentro está um pouco mais de calor, lá fora faz tanto frio, e tu insistes em ficar lá onde faz mais frio? Lá fora faz tanto frio mas eu vou ficar lá fora, até que o frio passe, ou então vou subir o degrau da escada da porta, vou abri-la e entrar em casa!

Bem vindos à minha casa, aqui há amor, sinceridade, sorrisos, felicidade, tudo coisas quentes, que contrastam com o tempo lá fora, frio! Bem vindos ao meu lar mais profundo, ao meu cantinho, onde penso, onde escrevo, onde faço estas pequenas obras de nada, ou simples conjugações frásicas que demonstram isso mesmo, o meu lar mais profundo, de onde eu saio por vezes para conquistar o mundo. Mas gosto mais de sair daqui para passear, para ir ter contigo para transmitir-te o meu calor… e, às vezes tu tens mais frio, porque eu não consigo chegar até ti, porque às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio, no perfeito vazio, pensando em ti e deixando-te a pensar porque é que não apareço, porque estou no perfeito vazio e tu não percebes, porque às vezes lá faz mais frio.

Música: Xutos & Pontapés

Adaptação original para o Caderno Amarelo

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