Que vida é esta que levamos?

Mas que vida é esta a que levamos nós? Que objectivo e que pressupostos temos ou nos propomos a nós próprios? É esta a vida que queremos? Fazemos o que queremos ou fazemos o que podemos? Fazemos o que nos deixam fazer, ou fazemos o que nos impõem a fazer? Fazemos bem, ou fazemos mal?

São tantas perguntas e não vejo a resposta que gostaria de ver. Levamos uma vida muito pouco sóbria, muito pouco abonatória para o esforço que fazemos no dia-a-dia. Tudo acontece, tudo avança, tudo recua, mas pouco podemos fazer para mudar a vida que levamos, no entanto, também não nos podemos resignar, muito menos acomodar!

Impõem-nos um estigma social de que temos de viver assim, mas se olharmos à volta e pensarmos bem, não andamos mais do que a ser enganados constantemente! Seja pelo patrão que diz que o negócio está difícil e quer que trabalhemos mais uma hora para lhe arranjar mais lucro, seja pelos governantes que dizem que o negócio está difícil e querem que trabalhemos mais para arranjar mais lucros para a nação, para poderem colmatar os buracos que esses senhores “patrões” vão abrindo por essas instituições boas que passam a más, seja pelos tantos que conhecemos que nos dizem que temos de trabalhar mais para chegarmos a um patamar melhor um dia!

É verdade que sucesso não se consegue sem vir primeiro o trabalho, mas nesta vida dura e difícil onde raio está o sucesso quando até já desenvolvemos algum trabalho? Acusam-nos de laxismo e de falta de vontade de mudar, mas como se mudam as ocorrências de números que vão saindo a cada rodada de um rapa viciado?

Mas que raio de vida é esta que levamos, onde acordamos às 7 e 30 da manhã para ir para o trabalho e voltamos às 19 e 30 da noite para comer e quem sabe conseguir finalmente desenvolver aquele plano tão cheio de adrenalina que é ver a nossa caminha e tentar descansar para no dia a seguir estarmos frescos que nem umas alfaces?

Mas que raio de vida é esta que levamos, onde as oportunidades que nos dão são sempre longe daqueles que gostamos, longe dos sítios que queremos, longe de tudo o que mais queremos?

Mas que raio de vida é esta, onde mais vale ser ladrão, seja de colarinho branco e fraque, seja de viaturas desprotegidas no meio da rua e na noite escura?

Mas que raio de vida é esta, onde nos lamentamos de tudo, onde nada está bem, mas que continuamos a vivê-la sem nada mudar?

Mas que raio de vida é esta, onde nos esquecemos de coisas básicas e reconfortantes e só procuramos coisas complexas e desgastantes?

Mas que raio de vida é esta, que raio de mundo é este em que é mais importante ir a Marte do que erradicar a fome, a pobreza e o crime?

Mas que raio, são horas de ir dormir, que amanhã é dia de trabalho e se não descansar vou estar rabugento, o que fará com que esteja de mau humor e cause mau ambiente no escritório e, caso o patrão note pode chatear-se, quiçá despedir-me, só porque respondi mal, ou então vai dar-me mais trabalho, para ver se esqueço o mau humor e as horas mal dormidas, porque ele pouco se importa, afinal ele tem uma empresa cheia de máquinas e robôs que lhe fazem o trabalho e lhe dão os lucros…

Afinal já sei qual é esta vida! É a de um comum mortal, que prefere lamentar-se a fazer algo para mudar, ou como o outro diria, é a vida de um português que não devia ser piegas!

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